Vanessa Lourenci Piaz
Data: 06/02/2010
RESUMO
A presente pesquisa traz a reflexão do tema função social da educação, o qual foi debatido através de entrevista com uma professora do Ensino Fundamental, bem como a problematização do currículo de língua portuguesa aplicado a uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental. Este artigo procura, por sua vez, conhecer justamente qual a função social da educação, e se dentro da escola se tem idéia deste objetivo.
Palavras-chave: Educação. Escola. Sociedade.
1 INTRODUÇÃO
Este paper é resultado de pesquisa bibliográfica, requisito de avaliação na disciplina de Prática Educativa, no curso de Pedagogia do Centro Universitário Leonardo da Vinci – Uniasselvi.
O trabalho tem como principal objetivo conhecer a função social da educação. Para isso, será necessário analisar o currículo da disciplina de língua portuguesa, escolhida pela acadêmica, do segundo ano (antiga primeira série), do Centro Educacional e Creche Conde Modesto Leal. Em busca deste objetivo, fez-se necessário entrevistar uma professora da escola acima citada, analisando e problematizando o currículo da disciplina, buscando neste sentido, compreender a função social da educação.
O currículo da disciplina de língua portuguesa será apresentado no trabalho, bem como as reflexões apresentadas pela professora mediante os questionamentos feitos pela acadêmica. O tema será desenvolvido de acordo com estas respostas, as quais justificam o cumprimento do currículo acima mencionado.
2 CONHECENDO A FUNÇÃO SOCIAL DA EDUCAÇÃO
Na atualidade, é difícil saber qual o papel social da educação, qual sua finalidade real. Conhecer a função social da educação implica, inevitavelmente, em analisar como estão as práticas escolares. Sabemos que a “educação” não começa na escola, pois, desde que a criança nasce ela é socializada e educada conforme os costumes e valores do seu meio, além do que “a educação familiar é também entendida como prática social menos formalizada” (SILVA; PAULINI; 2007, p.68). Porém, aqui vamos considerar como educação o conhecimento sistematizado, aquele que se ensina na sala de aula.
No livro, Psicologia Social o homem em movimento, Marília Gouvea de Miranda apresenta sua opinião sobre a finalidade social da escola:
[...] a escola tem três tarefas básicas a desempenhar a favor dos interesses das classes populares. Primeiramente, deverá facilitar a apropriação e valorização das características sócio-culturais próprias das classes populares. Em segundo lugar, e como consequência da primeira, a escola deverá garantir a aprendizagem de certos conteúdos essenciais da chamada cultura básica (leitura, escrita, operações matemáticas, noções fundamentais de história, geografia, ciências etc.). Finalmente, deverá propor a síntese entre os passos anteriores, possibilitando a crítica dos conteúdos ideológicos propostos pela cultura dominante e a reapropriação do saber que já foi alienado das classes populares pela dominação (MIRANDA 1983, p.54-55 apud LANE; CODO al 1994, p.133).
O papel da escola, pensando em função social precisa ser não somente trabalhar o conhecimento sistematizado, aquele científico que está posto no currículo. É justamente trabalhar em conjunto o currículo e também os valores que por ela são transmitidos.
Para compreender o papel social da educação na escola, foi preciso entrevistar uma professora da educação fundamental. Escolheu-se a disciplina de língua portuguesa, e sobre este currículo se elaborou alguns questionamentos, para que esta profissional da educação pudesse responder com a experiência de sala de aula. Um deles apresenta-se a seguir:
Você consegue aplicar todos os conteúdos do currículo durante o tempo estipulado de um ano letivo? Este conteúdo é bem amadurecido pelos alunos?
A resposta a este questionamento foi a seguinte: A turma selecionada é um pouco agitada, porém, é uma turma bem centrada, o que favorece a aplicação do conteúdo. Geralmente, se cumpre no ano letivo o que é proposto no currículo. Toda a forma de abordagem é selecionada para que o “processo de alfabetização” seja favorecido. Grande parte da turma consegue se apropriar bem dos conteúdos, levando em conta seu desenvolvimento sócio-educativo.
Visto que uma turma de segundo ano (antiga primeira série) está num novo processo chamado de processo de alfabetização, é muito importante que se respeite o ritmo dos alunos, e também seu contato com este novo universo, das palavras, símbolos e letras. É necessário que se conheça a realidade de cada um, para que se possa garantir realmente a alfabetização de todos, com qualidade e responsabilidade.
Na visão de Miranda, na escola a criança está num processo de socialização, passando a internalizar novos conteúdos, valores sociais e padrões de comportamento, sendo submetida a novos processos fora de sua realidade social, pela mediação de novos veículos sociais. (1983, p.134)
A escola, com efeito, é um grupo real, existente, do qual a criança faz naturalmente e necessariamente parte e é um grupo de natureza diferente da família... Por conseguinte, através da escola, nós temos forma de introduzir a criança em uma vida coletiva diferente da doméstica: nós podemos lhe propiciar hábitos que, uma vez contraídos, sobreviverão ao período escolar, e serão reclamados pela satisfação que lhes dá (EM, p.199 apud SILVA; PAULINI 2007, p.68)
Na aplicação do conteúdo, como você trabalha com as dificuldades de aprendizagem? Este foi mais um questionamento feito pela acadêmica, e a resposta vem na seqüência:
Quando diagnosticado que algum aluno está com dificuldade de aprendizagem, este passa a ter uma atenção individualizada, em determinados assuntos, recorrendo à recuperação paralela, caderno e atividades extras. É muito importante para as crianças, inclusive, o material concreto como jogos e atividades que o façam pensar sobre determinado assunto.
As dificuldades de aprendizagem podem ser de naturezas as mais diversas. Tanto de problemas emocionais, afetivos ou conflitos familiares. É necessário que o professor faça tudo o que estiver ao seu alcance para resolver este tipo de problema. A avaliação é um processo muito importante e que auxilia na identificação de dificuldades de aprendizagem, bem como na assimilação/construção dos conhecimentos. (MARTINS; 2009).
Este questionamento procura saber qual a opinião da professora Carmen Analice Tomasini a respeito da função social da educação na atualidade.
Na opinião de Carmen, a função social da educação é transformar o senso comum em científico; formar sujeitos críticos, cidadãos participativos, responsáveis, transformadores da sociedade, sendo criativos, íntegros e solidários.
“Para que isso se realize é necessário que a ação educativa não seja apenas o aperfeiçoamento de dons inatos, mas que acrescente algo ao ser imaturo que é a criança. É preciso que a educação crie no homem um ser novo: o ser social” (TURA 2002, p.47-58 apud SILVA; PAULINI 2007, p.68).
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Refletir sobre este tema, função social, papel da educação, finalidade social da educação, não é tão simples. Ao mesmo tempo, porém, é possível compreender que formar da criança o ser social, o homem em movimento, “crítico e participativo”, é tarefa por excelência da educação, e criar também “um ser novo, que irá, com seu grupo, partilhar de crenças religiosas, práticas morais, tradições nacionais e profissionais e opiniões coletivas de toda espécie” (TURA 2002, p.47-58 apud SILVA; PAULINI 2007, p.68).
Será que é somente “incutindo” o conhecimento sistematizado na cabeça das crianças que se completará esta tarefa tão difícil? Acredito que não. Este conhecimento que depois será ressignificado e reelaborado pelas crianças é parte integrante da educação, pois julgo que “educação” é muito mais do que saber ler e escrever.
Na visão durkheimiana, um importante fim da educação, e que ganha especial atenção nas sociedades modernas é a educação moral. Para ele, a educação moral é “a forma de conferir ao cidadão o gosto pela vida em coletividade, de criar o costume de pensar e agir em comunhão com seus concidadãos” (SILVA; PAULINI 2007, p.66).
Hoje, a família moderna espera muito mais além do conteúdo. A família do século XXI conta com a escola que “eduque” com valores, bem, trocando em miúdos, que a escola faça o que a família não consegue fazer por alguns motivos bem conhecidos: falta de tempo, trabalhos exaustivos, déficit de atenção entre outros.
Enfim, se há uma “educação” como fato social, então criar cidadão críticos e participativos, responsáveis e transformadores da sociedade, com criatividade, integridade e solidariedade, é um discurso muito bonito. Se realmente é possível no mundo contemporâneo é o grande questionamento que acaba ficando para os profissionais da educação na atualidade.
Saviani conceitua a educação como “uma atividade mediadora no seio de uma prática global” (1980, p.120 apud LANE et al 1994, p.132)
REFERÊNCIAS
SILVA, Everaldo da. PAULINI, Iramar Ricardo. Caderno de estudos: Sociologia Geral e da Educação. Centro Universitário Leonardo da Vinci. – Indaial: ASSELVI, 2007.
MARTINS, Josenei. Caderno de estudos: Didática e Avaliação. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: ASSELVI, 2009.
LANE, Silvia T. Maurer. CODO, Wanderley (orgs.). Psicologia Social: o Homem em movimento. 13. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.
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